No Dorso da Pantera

Hoje encerra no SESC Copacabana No dorso da Pantera, uma leitura de textos teatrais de Hamilton Vaz Pereira. O Diretor, autor, ator, compositor e diretor musical, comemora 30 anos da criação do seu primeiro texto para teatro.
O encerramento será com a leitura de Trate-me Leão, peça considerada revolucionária ao propor a criação coletiva e a linguagem despojada dos jovens da Zona Sul do Rio de Janeiro na década de 70.

A TV UERJ cobriu a leitura de Nardja Zulpério,com Regina Casé, na sexta-feira, dia 8 de junho.

Segundo Hamilton, Nardja é uma mulher que chega em cena triste e ao acordar, se encontrava feliz,redescoberta por si.


Foi possível perceber que ao longo da leitura, Regina Casé parecia ir recuperando a intimidade com o texto. Ficou descalça,brincava com o texto comparando certos trechos aos dias de hoje,fazia comentários ao público.


Nardja Zulpério foi criado por Hamilton e Regina há 20 anos. No espetáculo, Regina, contracena com vozes, que na leitura foram representadas por (da esquerda para direita) Alice Casé, Luiz Zerbini, Alberto Renault e Felipe Veloso, amigos do Diretor e da Atriz. Na foto Hamilton,leitores,Regina Casé e Benedita Casé abaixada (Filha de Regina)


Ao fim da leitura entrevistamos Hamilton.

TV UERJ - Você nunca remontou nenhum espetáculo, nunca teve essa vontade, fazer uma releitura, depois de 16 anos, traz alguma emoção nova, algum sentimento novo da mesma peça?
Hamilton - É, eu nunca... Eu tenho 33 anos de profissão, já fiz 30 espetáculos e nunca tive o menor interesse em remontar. Tem artistas, por exemplo, um músico popular quando ele vai fazer um show, ele bota no show seu novo CD e as músicas (faz gesto demonstrando algo anterior). E eu acho isso ótimo, porque o público tá habituado com aquele som, àquelas músicas e começa a se habituar com novo CD e tudo mais.No teatro isso acontece com remontagens.Pessoas anos depois remontam aquele espetáculo e tal.E eu já poderia ter remontado,eu já tenho tanta coisa, que eu poderia ter “Ah, eu vou remontar aquele espetáculo que eu fiz em 70,ou em 80,ou em 90” e tal.Mas, como eu sempre to ligado no que eu vou fazer agora, por exemplo, a minha ligação principal agora é um espetáculo que eu vou estrear em outubro que é meu próximo,inédito e tudo mais.Então,eu tô pensando nele,pensando mais pro futuro e presente do que pro presente e passado.
Mas, quando acontece um momento como esse é muito emocionante,porque há vinte anos atrás, eu e Regina (Casé) ficamos trancados numa sala em São Paulo, durante semanas a fio,criando um espetáculo que veio se chamar “Nardja Zulpério”.E aí o tempo passou,se passaram vinte anos e nunca mais pensamos nisso.
Aí, de repente, ela ta lá sentadinha lendo e eu lendo as rubricas e regendo e convidamos uns colegas pra apoiarem a leitura e tudo mais. Então é muito emocionante, porque você coloca o passado no momento presente. E isso é uma coisa legal não fica uma coisa saudosista, nostálgica, de “Ah,lá aquele tempo que era bom”,não.A gente traz o passado,bota aqui no presente e a gente se fortifica,né.Vê o instante o presente é o que contém passado e futuro,então a gente afirma o presente.

TV UERJ - E agora você ta passando pra livro algumas das suas obras.Como é passar toda a dinâmica, a linguagem do teatro pros livros?Você acha que perde,acha que muda,ou não?
Hamilton - Você tem o texto teatral, a dramaturgia, enfim, ela serve pra estimular, orientar, animar, os criadores de palco, que são: os diretores, os cenógrafos, os figurinistas e os interpretes, os atores, os músicos e tudo mais. Então, você não deve pensar que uma coisa é melhor do que outra. São coisas diferentes, é como você tivesse o mapa da mina,que é o texto, mas a mina terá que ser feita,terá que ser construída,terá que ser pesquisada,terá que ser usufruída,digamos assim.Então, se você tem um bom texto há uma grande possibilidade de você vir a ter um grande espetáculo.Um bom texto serve para criadores medíocres se enfiarem no texto para fazer um espetáculo medíocre,mas como texto é bom,segura a onda.Para um criador saudável, um criador legal, se ele pega um texto bom, aí ele tem grandes possibilidades com sua criatividade fazer espetáculos para arrasar quarteirão.
Então são duas coisas diferentes.Quando um espetáculo vai para livro,vai para o papel,pras pessoas lerem em casa...Tem gente,por exemplo que prefere ler teatro que assistir teatro,aproveita mais.Por exemplo, tem gente aqui provavelmente gostou do texto e talvez não gostasse de alguma montagem “Nardja Zupério” e por aí a fora.


TV UERJ - Você acredita que nunca ter sido indicado para prêmios, você mesmo falou que acha que os julgadores que não gostam do que você faz,você acha que deixa sua criação livre de preocupações do que a crítica vai achar, o que ela pode pensar?
Hamilton - Eu, nos primeiros anos de carreira, eu fui muito... Eu nunca fui de ganhar prêmio. Ganhei pouquíssimos prêmios, isso há muito tempo atrás. No início da carreira a crítica apoiava,me achava, achava o que eu escrevia, direção genial, incrível,não sei o que.Nesse momento eu achava muito estranho “Tão achando genial,achando incrível, e quando começarem a meter o pau?”, porque é o que acontece, é normal.As pessoas às vezes,aparece algo novo na vida de uma cidade, se esse algo inspira uma coisa boa as pessoas “Ah, que maravilha”.Aí a pessoa vai fazer um segundo CD,já descem o pau; vai fazer um segundo filme...O Brasil tem essa coisa auto-destrutiva.
O criador, e eu tiro por mim, não vai ficar pensando se tá ganhando medalha,não tá ganhando medalha.Evidente que o criador tem o maior interesse que tenha público,porque ele é um profissional, ele vai ter que pagar as contas, vai ter que entrar dinheiro.Então é brincadeira, se não tiver público pra assistir ele ta roubado,então não há desmerecimento nenhum.Agora com relação a crítica, a prêmios,etc, adoraria ser um rapaz cheio de prêmios e medalhas.Não sou, mas os meus amigos me dão essas medalhas,então tá tudo ok.

A leitura começa às 19h30min
Entrada Gratuita (Chegar antes para pegar senha)
SESC Copacabana - Rua Domingues Ferreira, 160
Reportagem: Renata Sofia
Fotos: Guilherme Dutra

1 comentários:

Anônimo disse...

Very nice! =)

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