
A Marcha das Vadias, que começou no mês passado em Toronto, no Canadá, apesar do nome um tanto quanto pejorativo, não é o que você está pensando! É um movimento em favor da liberdade e de todas as bandeiras que defendem a livre-expressão, especialmente para as mulheres que querem ser livres, sem serem rotuladas.
O “SlutWalk” surgiu quando alunos de uma universidade resolveram protestar depois que um policial sugeriu que as estudantes do sexo feminino evitassem se vestir como “vagabundas” para não serem vítimas de abuso sexual ou estupro. A partir deste fato, mulheres de todas as idades e classes sociais têm se reunido pelo direito de expressar-se, de ter personalidade, vestir-se como quiserem, e de serem respeitadas como são. Feminismo? Não! Direito essencial de ser mulher e cidadã, sem preconceitos de vestimenta ou atitudes.
Elas portam cartazes com os dizeres “Meu corpo, minhas regras”; “Isso não é sobre sexo, é sobre violência”, “Nem vadia, nem santa, livre”, entre outros. Elas também se vestem de forma provocativa ou comportada para chamar a atenção da incoerência de responsabilizar as vítimas de estupro e não seus agressores, questionando: as mulheres trazem isso para si? Não se pode usar uma saia curta e justa sem sofrer preconceito? Como se pode afirmar que uma mulher terá mais chances de ser alvo de assédio só pelo modo como ela se porta? Absurdo! Não importa como você se veste, o respeito vem em primeiro lugar!
Além de defender a livre-expressão, o evento que teve convocação geral pelo Facebook, tem o propósito de discutir um assunto ainda polêmico: as questões de gênero no mundo. É um assunto delicado e pouco comentado, por isso, os homens são bem vindos a manifestarem-se também.
O protesto que já teve grande repercussão pela Europa e pelos Estados Unidos, chegou ao Brasil este mês. As cidades de São Paulo, Recife e Belo Horizonte já sediaram o movimento. Dia 18 de junho, acontece em Brasília, simultânea à marcha pela liberdade; e dia 2 de julho, no Rio de Janeiro, na praia de Copacabana.
Por Vitória Pratini
A sociedade brasileira está presenciando uma série de mudanças sociais de comportamento, a pergunta que fica no ar é “será que estamos preparados para esses acontecimentos?” Esse é o tema do quadro pensado alto de hoje.
Nas últimas semanas dois fatos marcaram o noticiário nacional: passeatas a favor da legalização da maconha em São Paulo e no Rio de Janeiro e a aprovação da lei que concede a homossexuais o direito da união civil. Porém, a polêmica que esses temas levantaram demonstra um despreparo e um grande preconceito perante esses assuntos. A maconha desde sua chegada ao Brasil é marginalizada, por ter sido trazida pelos negros para terras tupiniquins. Desde então tem seu consumo relacionado a vagabundos e traficantes. O que não é um fato tão convincente, pois pesquisas mostram que o perfil dos consumidores da Canabis é de homens de classe média, com renda maior que 5 salários mínimos
A união civil de homossexuais esbarra no conservadorismo católico e protestante, que tem uma forte bancada no congresso, e sempre que seus interesses são “feridos”, essa bancada faz de tudo para que suas medidas sejam aprovadas. Sem contar no preconceito que os gays sofrem por demonstrar seu afeto em público.
Nesta última semana, uma professora do Rio Grande do Norte se tornou a porta voz da classe, ao relatar de forma muito corajosa a precariedade do sistema educacional brasileiro. Um vídeo que mostra a docente de português Amanda Gurgel silenciando os deputados potiguares durante uma audiência na assembléia legislativa daquele estado foi postado no site youtube e ganhou ampla repercussão nas redes sociais.
Em seu pronunciamento, amanda relata as angústias dos profissionais que atuam no dia-a-dia das escolas como: a falta de salários dignos, a superlotação das classes e a falta de investimentos públicos. Em pouco mais de 8 minutos de discurso, a professora faz um resumo de todos os problemas estruturais que impedem o desenvolvimento da educação no brasil.
Infelizmente, nada do que ela falou é novidade. É fato sabido que a educação deveria ser prioridade em qualquer sociedade, mas em nosso país este panorama ainda está muito distante do ideal. É uma vergonha que uma nação como o Brasil, que tem a oitava maior economia do planeta ocupe posições tão discretas em rankings que medem os índices de educação. A diminuição da desigualdade social em nosso país está intrinsecamente ligada a melhorias do ensino público. É triste ver docentes ganhando tão pouco enquanto parlamentares votam para dar a si mesmos aumentos extraordinários.
Para que haja o desenvolvimento pleno de uma sociedade, é preciso que se tomem todos os cuidados necessários com o sistema pedagógico, que tem no professor, sua figura principal.
Confira o vídeo na íntegra:
Por João Vitor Figueira
Nas últimas semanas o assunto que não saiu da boca do povo foi a entrevista do deputado Jair Bolsonaro do partido progressista ao programa da emissora Band, CQC. O deputado assustou a todos e causou polêmica ao se mostrar totalmente preconceituoso. as perguntas foram a respeito de cotas raciais, homossexualidade, relacionamentos inter-raciais e governos autoritários. Uma de suas pérolas foi o seu claro apoio e devoção à ditadura militar brasileira, que ficou no poder durante duas décadas, e manchou a história do país de sangue com suas torturas censuras e inúmeras mortes. o deputado federal chegou a dizer que sente saudades da época de Geisel e tem como seus ídolos políticos os militares que comandaram o período de autoritarismo extremo no Brasil.
A polêmica de sua entrevista não acaba por aí. ao ser perguntado se tivesse um filho gay, qual seria sua reação, Jair Bolsonaro diz que cria seus filhos muito bem, é um pai presente e isso não aconteceria jamais.
Como uma representante do povo diz que homossexualidade é uma questão de criação? Isso deve ser pensado por todos. esse cidadão não chegou a um cargo tão importante de forma autoritária, como na ditadura, de que ele tem saudades. Ele chegou através de votos, amigos da Tv Uerj! como um político de uma país como o Brasil, carente de políticas públicas diz que não andaria em um avião pilotado por um cotista?
Parece mentira, mas esses absurdos foram ditos por ele, mas ao contrário disso, um delegado carioca por dizer ter medo de passar na linha vermelha é exonerado com uma rapidez absurda!
Parece que a mesma linha de pensamento não serve para todos.
Toda essa repercussão levantou um questionamento muito válido para todos. no século XXI, não cabe mais discursos de extremo preconceito, que só servem pra disseminar violência e desrespeito a pluralidade humana.
Por Isabela Borges

O Brasil e o mundo acompanharam com um misto de revolta, tristeza e perplexidade a tragédia ocorrida ontem no Rio de Janeiro.
Wellington Menezes de Oliveira, um jovem de 24 anos e sem antecedentes criminais, adentrou uma escola de ensino fundamental em Realengo, sob a alegação de realizar uma palestra. Munido de dois revólveres calibre 38 e equipamento para carregar rapidamente as armas, disparou e matou covardemente 12 crianças e adolescentes e depois cometeu suicídio.
É difícil não lembrar de massacres semelhantes acontecidos nos EUA e na Europa, como a tragédia de Columbine. Até ontem, muitos brasileiros achavam que tais episódios eram uma exclusividade americana. A própria presidente Dilma Rousseff, muito emocionada chegou a dizer que “não era característica do país ocorrer este tipo de crime”. Tamanha barbárie não pode ser característica de nação nenhuma, mas sim de sujeitos transtornados por algum tipo de psicose.
Muito tem se falado sobre o perfil do criminoso. Dizem que ele teria sido vítima bullyng na mesma escola em que houve a chacina, que seria traumatizado na infância dentro de seu ambiente familiar ou mesmo que ele estaria motivado por algum tipo de fanatismo religioso ou loucura. Todas essas questões podem até nos ajudar a entender como alguém é capaz de cometer um ato tão infeliz, mas neste momento, existem pontos mais importantes e essenciais a serem discutidos.
O fato é que o uso de armas de fogo aumenta a dimensão trágica de eventos como o de ontem. Tanto faz se arma que Wellington usou na escola era legal ou ilegal. A pergunta que não quer calar é: como um sujeito como ele pode ter acesso a uma arma com tanta facilidade?! De quem é a culpa por esses e tantos outros episódios sangrentos envolvendo armas de fogo invadirem nosso cotidiano?
A culpa é das ineficazes políticas públicas de segurança, que são incapazes de impedir que milhares de armas passem ilegalmente por nossas fronteiras. A culpa é da corrupção que faz com que muitas armas apreendidas pela polícia voltem para as ruas, abastecendo o arsenal de traficantes, ladrões e psicopatas como Wellington.
É claro que o uso de armas de fogo pode sim evitar crimes, mas desde que elas estejam nas mãos das pessoas certas. Por isso mesmo, é preciso também, impor limites ao uso de armas por civis, pois tem muito cidadão que só possui uma arma pra usá-la na próxima briga irrelevante que tiver.
Vale lembrar que o mesmo país que hoje está de luto oficial, há cinco anos atrás votou NÃO no referendo sobre a proibição da comercialização de armas de fogo e munições.
Coincidentemente, o caso que ganhou ampla repercussão na mídia e que causou uma comoção coletiva no Brasil ocorreu no mesmo dia em que se comemora no país o Dia do Jornalista. Talvez seja hora dos meios de comunicação deixarem de lado o sensacionalismo e a exploração exagerada da dor dos colegas e familiares das vítimas, fazer valer o seu papel fiscalizador e discutir o que realmente importa.
Por João Vitor Figueira

Com a entrada da modernidade e a explosão da globalização começamos a viver um mundo muito mais dinânico e com isso superficial, é quase inevitável. E em um mundo em que os filtros se alargam e a experiência se transforma em momentos imperceptíveis, o que em um mundo mais condensado estaria renegado a descrenças por cidadãos mais maduros hoje vêm a tona de maneira quase indubitável, e alienista. Entre esses becos vivem os pseudo intelectuais, celebridades criadas, entre outros esteriótipos socias. Nesse cenário meio desencorajador surge o valor da opinião, e junta com ela pra muitas dessas pessoas vêm a perda da auto censura.
A auto censura é um capacidade subvalorizada atualmente, ficar calado e não se expressar publicamente sobre algo que não se tem conhecimento é visto até como problema psicológico. Mas o que acontece quando alguém que teve um contato superficíal com vários assuntos se permite opinar? Não se pode generalizar, mas quase sempre besteira. Não é algo perigoso para os que escutam esses pensamentos, pois estes em tese deveriam refletir o que assistem, é mais perigoso para aqueles que a pronunciam, pois assumem muitas vezes "o saber do que se está falando" sem ao menos terem tido um contato original com a verdade e uma reflexão.
Deleuze, filósofo francês, já dizia sobre seu contato com um aspecto cultural que só se abria a ele quando ele ocupasse um espaço na sua vida e se tornasse útil de certa forma, representando assim um encontro entre ele e a coisa em si. Talvez falte isso aos aventureiros do conhecimento, se encontrar com algo mesmo de uma maneira não física antes de declarar frases prontas e visões artificiais queimando assim algo tão único como é a opinião. Hoje são muitos poetas e poucas poesias, muitos artistas e poucas artes, uma modernidade líquida.
Por Robert Limongi

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