ETC! Disco da Semana: Foals - Total Life Forever


Gravar o segundo disco não é uma tarefa fácil para nenhuma banda. Os artistas precisam mostrar que tem talento para continuar no cenário musical, atender (pelo menos em tese) às expectativas do fãs conquistados no disco de estreia e tentar encontrar a dosagem certa de inovações para não correr o risco de se repetir ou mesmo de perder a identidade. O quinteto britânico Foals lidou com esse desafio de uma maneira surpreendente quando lançou Total Life Forever, o disco da semana no ETC!

Foals
Em 2008 o Foals apresentou ao mundo seu elogiado debut Antidotes, que foi bem elogiado pela crítica especializada. Nas faixas podíamos ouvir uma clara influência do Math Rock, subgênero do Indie Rock, caracterizado, pela precisão dos riffs de guitarra e pelo ritmo não convencional da bateria. Se em Antidotes o Foals provou ter um inegável potencial, em Total Life Forever (2010) eles exploraram novas possibilidades sonoras e provaram ter um inegável talento. E quando uma banda tem talento, toda ousadia merece ser premiada.

Total Life Forever dá um passo à frente em relação ao seu predecessor, que, apesar do dinamismo soa limitado em alguns momentos. Antes mais preso ao Math Rock, o Foals bebeu de outras fontes como o Post-Rock e a New Wave. Outro grande trunfo desse álbum é que há uma surpresa em cada música. Muitas começam de um jeito devagar e culminam num término grandioso, quase épico.

O disco começa com a faixa “Blue Blood”, onde devagarzinho os riffs esparsos vão dando lugar as dinâmicas interações entre as linhas de baixo e a bateria. Logo depois vem a animada “Miami” que tem um Q de Red Hot Chili Peppers. A faixa-título mantém o clima eufórico na integração matemática entre gitarra, teclado e vocais. Em seguida temos o punk dançante de “Black Gold” que parece o encontro do The Clash com o Radiohead. Exemplo perfeito de faixa que começa despretensiosa e termina com uma inquietude magistral.

A canção chave é a reflexiva “Spanish Sahara”, que mostra toda a complexidade harmônica dos instrumentistas e uma sensibilidade poética do vocalista e letrista Yannis Philippakis. Etérea, poderosa e intensa. “Spanish Sahara” é uma obra de arte de 06:35 segundos.


A partir daí o disco continua bem. Destaque para a precisão inconstante de "After Glow" e para a delicada "2 Trees".

Total Life Forever é um disco bem construído e mostra que ainda existem cabeças pensantes no Rock. Melancolia e euforia, minimalismo e maximalismo, pop e rock progressivo coexistem dentro desse interessantíssmo disco. O Foals mostrou ter personalidade e, provavelmente, um futuro promissor.

Por João Vitor Figueira

0 comentários:

top