Pensando Alto



Uma mistura de omissão de socorro, negligência e falta de respeito ao ser humano. Esta é a situação do sistema de saúde pública do estado do Rio de Janeiro, que tem revelado um completo descaso com a população mais carente dos municípios.

Somente nas últimas semanas, três casos que chocaram a população apareceram nos noticiários do estado. 
Dois deles aconteceram no hospital de Saracuruna, em Duque de Caxias, onde uma idosa foi encontrada com vida no necrotério pelos seus parentes após o médico ter atestado sua morte. Depois de sofrer um AVC e sem apresentar sinais vitais, a senhora foi dada como morta pelo médico responsável, mas foi encontrada se mexendo quando os familiares foram reconhecer seu corpo. No outro caso foi a falta de macas e leitos que fez a sua parte. Um idoso morreu na porta da emergência do hospital. Ele estava aguardando atendimento do lado de fora, pois não havia macas para levá-lo para dentro da unidade. O senhor acabou falecendo dentro do carro da sua família. A falta de leitos e o desrespeito com a vida também foram responsáveis pela morte de um jovem de 21 anos que se acidentou em uma laje no município de Xerém e só conseguiu atendimento em um hospital no Méier depois de uma peregrinação de mais de sete horas, passando por cinco hospitais. No estado em que se encontrava, depois de tanta demora, o jovem acabou não resistindo.
A Secretaria Estadual de Saúde informou que o diretor do hospital de Saracuruna e o chefe da equipe de plantão foram exonerados a pedido do Secretário, que também solicitou a abertura de uma investigação para apurar o caso.
Mas do que adianta mudar a diretoria de um hospital se o próximo que vier vai ter que lidar com os mesmos problemas de falta de estrutura e de desmotivação dos funcionários? Até quando será necessário que familiares e pacientes sofram com a displicência e a falta de vontade política de soluçar o problema? Quando algo realmente eficaz vai ser feito para melhorar o nosso sistema de saúde? Talvez quando isso acontecer possamos dar notícias diferentes àquelas citamos anteriormente. Enquanto isso, continuamos com cem mil pessoas morrendo por ano, no Brasil, por infecção hospitalar.
Por Mayara Salles

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