Amor sem beijinho, Buchecha sem Claudinho, o Rio sem a Lapa. Impossível pensar em uma coisa sem a outra. Berço da boemia carioca, da noite bem vivida, do pecado desculpado e também da malemolência do samba. Síntese perfeita dos engravatados e dos arrogantes que cruzam o bairro durante o dia.
A Lapa ficou famosa na década de 20 por seus cabarés, clubes de jogos, restaurantes, botequins e hospedarias. Mas, com o passar do tempo, deixou de ser um lugar de moradia para se tornar um espaço exclusivamente boêmio. Tradicional reduto da malandragem carioca, a região começou a declinar em 1940, devido à repressão do Estado Novo às atividades ilícitas e a concorrência com a agitada vida noturna de Copacabana. Após mais de três décadas de degradação, em 1970 diversas ações de revitalização foram efetuadas, como reformas e o tombamento de edificações históricas.

Em 2005, foi criado o movimento Eu Sou da Lapa. Inspirado na famosa campanha I love NY, que ajudou a revitalizar a cidade estadunidense, o movimento busca resgatar o orgulho de dizer "Eu sou da Lapa". Finalmente, dentro desse contexto, as pessoas redescobrem esse cenário maravilhoso de festa! A região se consolida a passos largos como destino de turismo, ficando, atualmente, apenas atrás de Copacabana.
A Lapa é o coração do Rio, onde se encontram democraticamente, os que vêm da zona sul com os que vêm da zona norte. Todos nós, cariocas, amamos a Lapa, somos a Lapa. Somos o malandro que acena para o mundo, demonstrando o orgulho de poder fazer parte desse lugar.


Por Viviane Amorim

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