Terror, suspense, comédia, drama, ficção científica. Pode-se
dizer que Almodóvar pegou um pouco de cada estilo, fez uma mistura e assim
surgiu o filme A Pele que Habito. Em uma trama repleta de enigmas que vão se
desvendando com o passar da história, um simples objeto como uma lâmina de
barbear ou um batom pode dizer muita coisa. São simbolismos desse roteiro
subjetivo que mostram os extremos dos polos masculino e feminino e também onde
eles se cruzam.
Um dos personagens principais,
interpretado por Antonio Banderas, carrega um grande drama familiar, marcado
pela morte de sua esposa em um incêndio e pelos problemas psicológicos de sua
filha que acabaram levando-a a morte. Ainda em paralelo a isso, ele é
questionado sobre a transgênese que realiza ao misturar o DNA humano com o
suíno. Tudo isso em busca de seu maior objetivo: a pele perfeita. Pele que
poderia ter salvo sua mulher. Pele que poderá livrar a humanidade de doenças.
Pele que pode camuflar uma personalidade. E é justamente nesse ponto, que
Almodóvar mais toca. Até que ponto mudanças físicas podem atropelar nossa
essência e modificar aquilo que temos de mais profundo?
É uma angústia do
início ao fim. Um tipo de terror silencioso, sem gritos e grandes sustos, mas
com surpresas sutis que não deixam a desejar. A cronologia confusa, com idas e
vindas, deixa dúvidas sobre o caminho da trama, mas a história prende e surpreende.
Um conselho: assista ao filme de mente aberta e depois tire suas próprias
conclusões. Qual pele você habita?
Por Paloma Quintão


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