"As feias que me desculpem, mas beleza é fundamental", já diria Vinícius de Moraes. Mas não é apenas o poetinha que pensa dessa forma. Academias lotadas, salões de beleza com horários esgotados, clínicas de estética a cada esquina e dietas dos mais variados tipos estão aí para provar que, mesmo depois de tantos anos, a beleza padronizada continua sendo um fator imprescindível para as mulheres por todo o mundo. Mas, afinal, o que significa ser bonita?
A admiração pela simetria e pela juventude parecem ser um consenso universal de uma estética atraente. No entanto, os padrões de corpo da moda sofrem diversas alterações de acordo com a época e com a cultura.
Durante o princípio da evolução humana, as mulheres consideradas belas eram gordas, de quadril largo e cintura fina, o que indicava maior possibilidade de gerar uma prole saudável. A valorização da gordura no corpo feminino perdurou por séculos, pois associáva-se aos hábitos alimentares das elites, que tinham acesso a produtos caros, como as carnes e o açúcar. Espartilho e anquinhas foram sensação no séc XIX, pois realçavam o busto e aumentavam os quadris.
A entrada do séc XX, no entanto, foi uma época de profundas transformações sociais, principalmente para a mulher, que conquistou de vez o seu espaço no mercado de trabalho e sua independência financeira. A chegada da pílula anti-cocepcional trouxe também independência sexual, e as formas femininas se alteraram. Os quadris largos e o bumbum avantajado foram gradualmente substituídos por um corpo mais magro, mais ágil e eficiente para o trabalho.
A partir dos anos 60, com o estouro do sucesso da modelo Twiggi, a beleza foi definitivamente associada à magreza, o que representou, de certa forma, uma libertação de um corpo maternal imposto durante séculos. As curvas tornaram-se feias nas passarelas e passou-se a valorizar a mulher-cabide. Isso mudou um pouco na década de 90 com a entrada de Gisele Bündchen, que trouxe de volta os seios fartos e alguns formatos sinuosos, mostrando ao mundo a "beleza brasileira". Mas mesmo para as mulheres do Brasil, esse padrão de beleza mostrou-se praticamente inatingível: seios e bumbum grandes conjugados a um corpo macérrimo.
Com o emplacamento da ginástica nas academias, o modelo de corpo perfeito já está mudando novamente. A gordura continua sendo motivo de pavor, mas o objetivo agora é ter um corpo sarado e forte, com a musculatura definida.
A partir dos anos 60, com o estouro do sucesso da modelo Twiggi, a beleza foi definitivamente associada à magreza, o que representou, de certa forma, uma libertação de um corpo maternal imposto durante séculos. As curvas tornaram-se feias nas passarelas e passou-se a valorizar a mulher-cabide. Isso mudou um pouco na década de 90 com a entrada de Gisele Bündchen, que trouxe de volta os seios fartos e alguns formatos sinuosos, mostrando ao mundo a "beleza brasileira". Mas mesmo para as mulheres do Brasil, esse padrão de beleza mostrou-se praticamente inatingível: seios e bumbum grandes conjugados a um corpo macérrimo.
Com o emplacamento da ginástica nas academias, o modelo de corpo perfeito já está mudando novamente. A gordura continua sendo motivo de pavor, mas o objetivo agora é ter um corpo sarado e forte, com a musculatura definida.

Porém, nenhum desses corpos é atingido facilmente.O Brasil já ocupa a segunda posição no ranking de países com maior número de cirurgias plásticas, perdendo apenas para os Estados Unidos. Além disso, o número de casos de anorexia e bulimia são assustadores, tanto nas mulheres, quanto nos homens, que também passaram a ser muito exigidos nesse sentido de algumas décadas para cá. Fora isso, os tratamentos de imagem com programas como photoshop fazem com que acreditemos em corpos e pessoas que não são reais, causando uma insatisfação em cadeia, que movimenta a indústria.

Portanto, meninas, coloquemos em nossas cabeças o seguinte: ninguém NUNCA chegará e nem jamais chegou a um corpo perfeito, pois até mesmo esse conceito se altera com frequência. O que nós podemos e devemos fazer é encontrar um equilíbrio que respeite as formas naturais do corpo de cada uma e ao mesmo tempo seja saudável, para que possamos aproveitar os maiores prazeres da vida, que estão longe de ser meramente estéticos.
Flor Castilhos


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