ETCrítica: "A Chave de Sarah" e seu Encanto


França, ano de 1942. No meio da segunda guerra mundial, em pleno território francês, ocorre um dos maiores aprisionamentos de judeus na Europa. É o episódio do Velódromo de Inverno, pouco conhecido nos dias de hoje, mas muito marcante naquela época. É em torno deste acontecimento que o filme “A Chave de Sarah”, do diretor Gilles Paquet-Brenner, se desenvolve.

Julia Jarmond é uma jornalista americana que vive em Paris desde que se casou com seu marido há 25 anos. Sarah Starzinsky é uma garota filha de judeus, que viveu na cidade luz há quase 70 anos atrás. O que há em comum entre as duas e como a historia delas pode se entrelaçar?

Julia está produzindo uma matéria sobre a concentração de judeus no Velódromo durante a 2ª guerra, episodio do qual Sarah e seus pais participaram. Entretanto, ao aprofundar sua investigação, a jornalista descobre que o apartamento para o qual ela e o marido desejam se mudar pertenceu justamente à família Starzinsky. Alem disso, descobre ainda que, antes de ser arrancada de casa pelas tropas nazistas, Sarah, inocentemente e por um instinto de proteção, tranca seu irmão de apenas 4 anos no armário, com o pensamento de destrancá-lo daqui a poucas horas. Tal fato não ocorre, pois ela e os pais acabam sendo levados posteriormente ao campo de concentração de Auschwitz.

A trajetória entre Sarah e Julia pode se tornar mais forte do que se pensava, já que Julia descobre que Sarah poderia ainda estar viva nos dias de hoje. Tal ligação pode transformar completamente a história da jornalista, fazendo-a reavaliar todos os valores de sua vida.

Com uma fotografia que somente o cinema europeu consegue produzir e um roteiro bem concatenado, o drama mostra um contundente retrato da França sob a ocupação nazista, revelando tabus e negações que circundam este doloroso período da História francesa. Tocante, encantador e imperdível.

NOTA: 8,3

Obs: O filme "A chave de Sarah" entra em cartaz no dia 18 de novembro.
Gabriel Manes


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