"Um Dia": das páginas para as telas



Ainda que seja uma comparação de itens totalmente distintos, analisados de forma diferente, sempre ouvimos que o livro é melhor com o filme. Porém, isso não significa que o longa cinematográfico seja horrível. Nem sempre, pelo menos. 
Normalmente, os livros ganham uma nova roupagem quando adaptados às telonas, inclusive uma bem diferente, sendo literal mas nem sempre fiel ao original, e por isso o filme não agrada a todos. Até porque quem faz o roteiro da película não é o autor do livro. Aliás, algo raro de se acontecer.


Entretanto, uma das obras literárias que recentemente foi adaptada aos cinemas e teve o próprio autor como roteirista foi o livro “Um Dia”, de David Nicholls. Tal fato concedeu ao filme uma maior lealdade ao original e contribuiu para o sucesso do longa, que fez parte do Festival do Rio e estreou oficialmente semana passada aqui no Brasil. “Um Dia” conta a história de duas pessoas ao longo de vinte anos, Emma e Dexter, amigos que ainda não perceberam o amor.
Mas o mais interessante é o formato do enredo: cada capítulo do livro e do filme são relatos da vida e do relacionamento dos dois personagens, narrados ano a ano, em todos os dias 15 de julho, dia de St. Swithin na Inglaterra e também aniversário da data que o casal se conheceu. É o diferencial dessa história emocionante, uma maneira de inovar um assunto já passado.
Ainda assim, o que não se pôde utilizar do pensamento das personagens durante o roteiro, pôde ser transmitido pelas expressões dos atores Anne Hathaway e Jim Sturgess, que fizeram um ótimo trabalho e mostraram uma química invejável frente às câmeras, traduzindo exatamente os sentimentos frustrados das personagens, o amor que surge quieto ao longo dos anos, a cumplicidade de dois amigos e as alegrias e decepções frente aos altos e baixos da vida.
O enredo é digno dos melhores roteiros de cinema, sendo considerado um clássico moderno, já que mescla romance e realismo, não sendo uma narração sobre amor, mas sim sobre o tempo. É uma história tocante e angustiante com a qual em algum momento nos identificamos.
Resta saber se os fãs da obra literária também gostaram do filme. Devemos lembrar que não deve ser igual para ser bom, deve ser semelhante ao livro e captar a essência das páginas nas grandes telas.

Por Vitória Pratini 


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