ETCrítica "O Palhaço": Será que ele vai te fazer rir?

Uma comédia com traços de drama ou um drama com traços de comédia? Essa pergunta fica suspensa no ar ao assistir o longa "O Palhaço", segundo filme de Selton Mello como diretor, além de ator, produtor e roteirista.
O longa conta a história de Pangaré, um palhaço que sofre de uma crise existencial, pois não se acha mais capaz de fazer os outros rirem. Ele vive os dilemas dessa crise ao lado de seu pai, o também palhaço Puro-Sangue, vivido por Paulo José. Esse ator, inclusive, se mostra mais uma vez como um dos grandes nomes da interepretação nacional, pois rouba a cena todas as vezes que aparece, de forma tão espontânea, na trama.
Já a multiplicidade de tarefas exercida por Selton Mello, fez com que ele resbalasse em alguns momentos, principalmente no que parecia ser, para ele, a função mais confortável: a atuação. Por vezes mostrando-se muito caricatural e talvez bobo demais, o personagem é capaz de convencer o público, mas não chega a cativá-lo tanto quanto deveria.
Em contrapartida, o humor presente no longa é de bom-gosto e possui uma sutileza não muito comum nas produções brasileiras. Com diálogos criativos somados ao carisma de personagens como o Delegado Justo e o mecânico, o filme consegue deixar de ser só mais uma das muitas histórias sobre palhaços tristes.
Algumas boas sacadas, no entanto, merecem ser observadas com mais atenção. O ventilador, objeto de perseguição do palhaço durante todo o filme, caracteriza os bens materiais aos quais Pangaré era privado, devido à profissão artística e que fariam com que sua vida fosse mais amena. Já a crise de identidade do protagonista, apresentada sentimental e literalmente , faz com que a posse RG significasse um grande passo que o ajudaria a reconhecer a si próprio como pessoa e profissional.
Fora isso, o figurino de Kika Lopes, a Direção de Arte de Cláudio Amaral Peixoto e a Direção de Fotografia de Adrian Teijido contribuiram e muito para que o filme obtivesse uma estética sofisticada e agradável de ser vista, o que é comprovado pelos mais de um milhão de expectadores.
O Palhaço pode não ser o filme mais marcante de sua vida, mas sem dúvidas é capaz de proporcionar um bom momento, tanto para quem assiste, quanto para o cinema nacional.

 Por: Flor Castilhos




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