Por Daianne Possoly
Muitos dizem que tal decisão provoca uma separação ainda mais visível entre Igreja e Estado, uma vez que, a maior parte das instituições religiosas é impreterivelmente contra tal prática. De fato, existem muitos pontos a serem vistos e analisados; é compreensível a discordância da Igreja nesse caso, mas também é compreensível a atitude da Justiça. Será correto obrigar alguém a fazer algo contra a sua vontade e que vai prejudicá-la mais do que qualquer outra pessoa? Vale a pena fazer com que os pais passem por uma situação tão complicada? Se apegarem e amarem o filho com todo o coração sabendo que morrerá em breve?
Sabemos do caso da criança anencéfala Vitória, que tem 2 anos, e que goza – dentro do possível – de perfeita saúde, mas essa é uma exceção extraordinária. Por via de regra, uma criança com essa condição vive em média 8 horas.
É preciso lembrar também que com a evolução da medicina e da tecnologia, essas crianças têm chances melhores de viverem por mais tempo. Se fosse em outras épocas, a seleção natural do mais apto acabaria provocando sua morte de qualquer maneira. O aborto acontecendo ou não, essa criança não têm expectativa de vida significativa, sem contar que as emoções, sentidos e – obviamente – a inteligência ficam comprometidos; Isso faz com que a criança embora se alimente, respire e consiga realizar as funções vitais, ela estará em estado vegetativo permanentemente.
Não estou aqui para defender a prática ou não, afinal, essa é uma escolha pessoal da família, sou contra impor uma condição para qualquer pessoa, por isso, acho que a decisão do STF foi racional, visto que permitem assim uma opção para os pais. Vale lembrar que as leis de um Estado Laico, como é o Brasil, não devem ser feitas com base em nenhuma religião para que sua conduta não seja imposta sobre fiéis de outras, sendo assim, creio que essa atitude foi de muita sensatez e justiça da parte do STF.
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