Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios



O mais novo longa brasileiro, chamado "Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios", estreia dia 20 de abril e promete não perdoar o expectador. Apesar do nome doce, o filme, que tem como trama um triangulo amoroso em terras amazônicas, nada tem de delicado: é forte, dramático, confuso e brilhante. Baseado no livro homônimo de Marçal Aquino, sua história é centrada em Cauby, um fotógrafo forasteiro que chega a cidade fictícia de Andares, e que, antes que pudesse perceber, se vê envolvido com a mulher do pastor da cidade, Lavínia. Interpretada gloriosamente por Camila Pitanga, ela domina o filme do começo ao fim: uma personagem tão rica, com tantas personalidades e mistérios, faz com que seja impossível não ser absorvido por essa força que emana dela a cada cena.

Ainda assim, a complexidade psicológica dos personagens não impede que a exploração do corpo seja oprimida. Muito pelo contrário, nudez e cenas de sexo sem nenhum pudor, tornam o filme ousado, natural e intenso, concordando com o pano de fundo de temática indígena, cercado por lutas de terra e abuso na exploração de minério.



O filme é tão denso e abrangente, que poderia render muitos outros assuntos, mas, de forma geral, além de mostrar o belo e sofrido Pará, evidencia quão profunda e contraditória pode ser a psique humana, que se mostra na própria falta de linearidade do filme e no seu desfecho, tão inesperado quanto genial. Enfim, prepare sua mente para queimar uns neurônios e seu coração para se apaixonar por Cauby, Lavínia e seu drama para viverem uma paixão.

É uma tragédia com uma trilha sonora fantástica, que deixaria Shakespeare com inveja, e que, com certeza, deixará os brasileiros com orgulho. Uma produção, que em nada se assemelha aos clichês americanos e que nos brinda não só com imagens, mas com a mais bela poesia em movimento.

                                                                                                                          Por Raquel Alves

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