Sempre ouvi meu avós dizendo: "O trabalho dignifica o homem". Pois bem, há muitos comentários, congressos, campanhas e um milhão de coisas falando sobre trabalho na infância.
Certamente não podemos tirar a melhor fase da vida de uma pessoa para enchê-la de compromissos e responsabilidades que devem ser destinadas aos adultos. Lugar de criança, como todos sabem, é na escola. Mas também é na rua, com os amigos, na pracinha, no parque, na sorveteria, no cinema, no videogame e em qualquer outro lugar em que a criança possa aprender e se divertir. E, de preferência, as duas coisas ao mesmo tempo.
Só que não podemos esquecer que não são todas as crianças que tem acesso a cinema, nem tem um videogame. As vezes nem são criadas por sua família biológica. Exploração, de fato, não está com nada, mas nos momentos de mais "perrengue" da minha vida, por exemplo, vender bombons feitos por minha mãe foi o que me salvou; e eu tinha apenas dez anos de idade. Vender limões galegos que brotam no pé do quintal é o que garante os sorvetinhos diários de uma menina de oito anos que mora em minha rua.
Aposto que todos conhecem alguma criança que ajuda os pais à noite, por exemplo, na barraquinha de cachorro-quente, de churros, ou de tapioca...
A criança pode sim trabalhar, porém o dinheiro conquistado com o esforço dela, seja ele pequeno ou muito, tem que retornar, direta ou indiretamente. Indo para as mãos dessa criança ou para aqueles que cuidam dela. Mas uma condição é CRUCIAL: Que esse trabalho não atrapalhe seu desempenho escolar, nem tire o imenso e inesquecível prazer de brincar até se cansar.
Por Eliadma Parreira

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